sábado, 1 de dezembro de 2012

O Corpo Violado


O texto O Corpo Violado, de Jorge de Souza Tanure Junior - Retirado de: ar - revista  de arquitetura, ensino e cultura pag. 27 - que retrata muito bem a disciplina Estúdio II. e fala da importância do corpo e espaço e a experiência de vivencia-los na criação de novos espaços.

A relação entre corpo e espaço estreita-se à moda que se interagem a todo instante. O corpo é parte integrante de um espaço, logo, é evidente uma relação entre eles. Por se tratar de um meio de inserção do corpo, a arquitetura vem a calhar como propósito perfeito para o estudo, e compreensão da sua importância. Levando-se em consideração suas consequentes sensações para aprimoramento, percepção e criação de novos espaços. Afinal, ao redor as mutações são uma constante.
Corpos são norteados de rotinas; sensações e reações dedutíveis e previsíveis. A pele arrepia. A garganta grita. O coração palpita. Os olhos piscam. A língua saliva. E o pulso pulsa. Sensações e instintos estes já conhecidos por nós. É preciso experimentar algo diferente. Provocar novas sensações.
Às vezes é mais eficaz sentir determinado fato ou sensação para compreender-lo. Lamentar-se com a notícia de um colega hospitalizado, não é o mesmo que estar acamado com o pé enfaixado. Consolar uma amiga pelo fim do namoro, também não é o mesmo que sentir o término do seu próprio namoro. Bem como assistir pela TV um salto de pára-quedas, não é o mesmo que sentir em seu próprio rosto o vento ao saltar de um avião. É preciso perceber as coisas para interagir com elas. Retirar proveitos de situações e vivencias, para contribuírem significativamente em processos de criação.
O estudo do corpo e a criação de bio-mecanismos, ora inusitados. São objetos de auxilio na percepção da relação entre espaço e corpo. Vindos também como meios inspiratórios para o processo criativo de determinado ambiente.
Da arquitetura não se vive só, é desfrutada e vivida em coletivo. É preciso notar o que sentem orgânica, física e emocionalmente.
Não basta apenas arquitetar, é fundamental passar por processos perceptivos a fim de chegar-se a condição humana. O arcaico dá lugar ao moderno. Novas formas de perceber a realidade e as relações e necessidades sociais são descobertas e reinventadas.
O corpo pode ser referenciado como nosso meio e fim. A partir destes novos modos de captação de percepções do espaço através do corpo; todo o material coletado com o auxilio do corpo, será convertido em benefícios para o próprio corpo. Ou seja, o corpo é um meio do estudo, e alvo também do estudo.
Corpo e espaço andam de mãos dadas rumo à descoberta de novas concepções e sensações. Buscam derrubar pauperismos relacionados à humanidade, inegavelmente freqüentes no cenário arquitetônico atual. 


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